De acordo com o Mapa da Violência de 2012, o Brasil é o sétimo país do mundo com maior número de registros de crimes contra a mulher
Desde o ano de 2005 foi investido mais de R$ 1 bilhão pelo governo federal em projetos para combater a violência contra a mulher
Crédito: Agência Brasil
“Cria mecanismos para coibir a violência
doméstica e familiar contra a mulher, nos termos do art. 226 da Constituição
Federal, da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação
contra as Mulheres e da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e
Erradicar a Violência contra a Mulher; dispõe sobre a criação dos Juizados de
Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; altera o Código de Processo
Penal, o Código Penal e a Lei de Execução Penal; e dá outras providências”, é o
que diz a Lei Maria da Penha, número 11.340, decretada no ano de 2006. As autoridades
esperavam, com a regulamentação da norma social, coibir atos de violência
contra a mulher, mas não é isso que vem acontecendo no Distrito Federal e no
resto do país.
Qualquer
mulher que reside no Brasil conta com Plano Nacional de Políticas para as
Mulheres, criado em 2005 pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da
Presidência da República (SPM/PR). O projeto visa o compromisso de enfrentar a
violência contra a mulher e a desigualdade entre gêneros por parte do Estado. O
Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência contra a Mulher, criado três anos
depois, foi um dos projetos contemplados. A iniciativa teve investimentos de
aproximadamente R$ 1 bilhão em ações de educação, trabalho, saúde, segurança
pública e assistência social destinado a mulheres em situação de
vulnerabilidade social. Segundo a Promotora de Justiça do Ministério Público do
Distrito Federal e Territórios, Fabiana Barreto, o acesso à informação é
fundamental para que as mulheres tenham noção de seus direitos: “Quanto mais
bem informadas as mulheres estão sobre os seus direitos e qual é a violência,
mais chance ela tem de procurar ajuda”, afirma.
O DF é a unidade federativa do país com o maior número de denúncias de agressão de violência doméstica contra mulheres por grupo de cem mil habitantes. Segundo a SPM/PR, a média é de 625,69 denúncias para cada no primeiro semestre de 2012. Os dados são baseados em ligações recebidas pelo Disque 180, Central de Atendimento à mulher. Ao todo foram registradas 388.953 denúncias em todo o país durante o período. Atrás do DF aparece o Pará, com 515,94 denúncias e a Bahia com 512,40. No entanto os dados podem não corresponder a realidade, já que muitas vítimas deixam de fazer a denúncia por medo.
O DF é a unidade federativa do país com o maior número de denúncias de agressão de violência doméstica contra mulheres por grupo de cem mil habitantes. Segundo a SPM/PR, a média é de 625,69 denúncias para cada no primeiro semestre de 2012. Os dados são baseados em ligações recebidas pelo Disque 180, Central de Atendimento à mulher. Ao todo foram registradas 388.953 denúncias em todo o país durante o período. Atrás do DF aparece o Pará, com 515,94 denúncias e a Bahia com 512,40. No entanto os dados podem não corresponder a realidade, já que muitas vítimas deixam de fazer a denúncia por medo.
O alto
número de denúncias feitas pode ter relação com a estrutura do estado de
proteção à mulher. A CPMI da Violência contra a Mulher aponta o DF como
destaque quando a questão é amparo às mulheres vítimas de violência. O Brasil
conta com 66 Varas especializadas no assunto, destas 16 estão na região
Centro-Oeste e dez no Distrito Federal. A média é a melhor do país, um local de
atendimento para cada 134.128 mulheres. Estados como o Rio Grande do Sul e
Paraná contam com apenas uma vara e a população destes locais é cerca de cinco
vezes a da capital do país.
De acordo
com a pesquisa do Data Senado, divulgada no último dia 26, 66% das mulheres
entrevistadas consideram que melhorou a proteção da mulher depois da criação da
Lei Maria da Penha, e apenas 5% das entrevistadas consideram pior. Também de
acordo com a pesquisa, das 1.248 mulheres interrogadas, 99% delas conhecem a
lei, e 80% consideram que a lei por si só não consegue resolver a problemática
da violência doméstica. Para 74% das entrevistadas, o medo do agressor é o
maior receio para a mulher não denunciar a agressão.
O Brasil aparece em sétimo lugar no número de crimes contra a mulher, com uma média de 4,6 mortes para cada cem mil mulheres. Os dados são do Mapa da Violência, publicado em 2012 pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos (Cebela). Cerca de 92 mil pessoas do sexo feminino foram assassinadas nos últimos 30 anos em nosso país, sendo que aproximadamente 49% dos casos foram registradas nos últimos dez anos. Entre 2006 e 2011, 50.462 ações judiciais acerca do assunto correram no DF, fazendo com que a unidade federativa seja o quarto colocado em número de processos, atrás apenas do Rio de Janeiro, do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais. Cinco ações diárias, em média, foram registradas durante o período. Se for levada em conta a população feminina da região, a capital do país salta para a segunda colocação, com 3.762 processos para cada grupo de cem mil mulheres.
O Brasil aparece em sétimo lugar no número de crimes contra a mulher, com uma média de 4,6 mortes para cada cem mil mulheres. Os dados são do Mapa da Violência, publicado em 2012 pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos (Cebela). Cerca de 92 mil pessoas do sexo feminino foram assassinadas nos últimos 30 anos em nosso país, sendo que aproximadamente 49% dos casos foram registradas nos últimos dez anos. Entre 2006 e 2011, 50.462 ações judiciais acerca do assunto correram no DF, fazendo com que a unidade federativa seja o quarto colocado em número de processos, atrás apenas do Rio de Janeiro, do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais. Cinco ações diárias, em média, foram registradas durante o período. Se for levada em conta a população feminina da região, a capital do país salta para a segunda colocação, com 3.762 processos para cada grupo de cem mil mulheres.
No entanto,
de acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF), a
violência contra a mulher foi reduzida se compararmos os anos de 2012 e 2011.
No ano passado foram registrados 17.675 casos, 9,5% a menos do que os 19.371
registrados em 2011. A maioria das queixas são
relativas a ameaça. Foram 6.272 crimes foram denunciados em 2012. Em seguida
vem injúria, com 4.870 denúncias e lesão corporal com 3.288. Segundo a
Delegada de atendimento à mulher, Ana Cristina Santiago, há vários tipos de
violências que podem ser sofridos: “A lei Maria da Penha estabeleceu cinco
tipos de violência: física, moral, psicológica, patrimonial e sexual”, diz.
Devido ao
alto número de ocorrências, foram organizadas duas caminhadas em homenagem às
vítimas de violência doméstica no dias 9 e 10 de março. A primeira aconteceu em
Ceilândia, com um grupo de pessoas saindo da estação de Metrô Ceilândia-Centro
e indo até a feira popular da cidade. A segunda aconteceu em Santa Maria e foi
uma homenagem a Fernanda Grazielly, morta brutalmente à facadas em um shopping.
O número de ocorrências de crime contra as mulheres registrados é proporcional
ao receio da sociedade.